Embarque conosco nesta viagem: Conheça o Beco do Samba

Bem-vindo ao Beco do Samba. Mas antes de começar nossa caminhada, um aviso: aqui não estamos diante apenas de grafites, estamos diante de histórias, memórias, encontros improváveis e personagens que ajudaram a construir a cultura da Zona Norte de São Paulo. Então venha. A viagem vai começar.

Nossa primeira parada é a Estação Parada Inglesa, território da querida X9 Paulistana.

Logo na entrada, somos recebidos por um painel que celebra a trajetória de uma das escolas de samba mais tradicionais da cidade. Fundada em 1975 e inspirada na lendária X9 de Santos, a agremiação ficou conhecida carinhosamente como “Filhote da X9”. A obra foi produzida por Ricardo Tatto e Sully, artista oficial do Beco do Robin e parceiro fundamental para que este projeto saísse do papel e ganhasse as ruas. Mas calma… estamos apenas começando.

Seguindo alguns passos adiante encontramos uma Maria Fumaça, que não foi colocada ali por acaso. Ela homenageia a antiga linha ferroviária que passava pela Avenida Nova, local onde hoje está o Beco do Samba. A imagem também nos leva diretamente a uma das canções mais emblemáticas da música brasileira: Trem das Onze, eternizada por Adoniran Barbosa. E por falar em trilhos…

Quem viveu a Avenida Nova no final dos anos 80 e início dos anos 90 certamente se lembra de outro movimento que marcou o bairro: os skatistas do Downhill Slide.

E falando em liberdade, a viagem nos leva novamente até Santos. Cidade da X9 de Santos. Cidade de praias. Cidade do skate… Cidade onde muitos acreditam que nasceu Alexandre Magno Abrão, o Chorão, muito antes de se tornar um dos maiores ícones do rock nacional. Coincidência? Talvez. Mas o Beco do Samba gosta justamente dessas conexões improváveis.

Voltando para a Zona Norte, desembarcamos na estação de um dos maiores cronistas da cidade de São Paulo, Adoniran Barbosa. O homem que transformou o jeito simples de falar em poesia popular. Autor de clássicos que atravessaram gerações, Adoniran representa a alma paulistana e a força cultural dos bairros que ajudaram a construir a identidade da cidade. A arte foi produzida por Sully, reforçando mais uma vez a parceria entre o Beco do Robin e o Instituto Tribunow.

Continuando nossa caminhada encontramos dois personagens que ajudaram a escrever capítulos importantes da história cultural da região. O inesquecível Rei Momo da X9 Paulistana, eleito por sete anos consecutivos, e o jornalista, ativista e produtor cultural Marques Rebelo. Marques foi responsável por publicações históricas como Revista Carnaval, Rap Brasil, Planeta Hip Hop, Revista Capoeira e Revista Grafitti e para nós do Instituto Tribunow, sua importância vai ainda mais longe. Foi ele quem ajudou a tirar o antigo Fanzine Tribunow do underground e abrir caminhos para que a equipe chegasse ao mercado editorial nacional através da revista TOQ de Primeira Futebol & Samba, um verdadeiro guerreiro da cultura.

Mas já que estamos falando de samba… chegou a hora de encontrar o rei do ritmo, Jackson do Pandeiro. Sua obra atravessou gerações e influenciou artistas de todos os estilos musicais.A homenagem foi criada pelo artista Crespo. 

E aqui o samba encontra o rock, porque quem viveu os tempos de MTV certamente se lembra de Chorão reverenciando Jair Rodrigues e celebrando aquilo que chamava, entre risos e admiração, de um dos primeiros raps brasileiros.

Ao lado de Jackson surge outra referência fundamental para a cultura popular brasileira: a Literatura de Cordel. Muito antes das redes sociais, dos blogs e até mesmo dos fanzines, eram os cordéis que levavam histórias para o povo. A homenagem foi produzida pelo artista Caburé.

E se estamos falando de samba, logo chegamos à maior festa popular do planeta, o Carnaval. Aqui celebramos uma visita especial que o Beco recebeu antes mesmo de sua conclusão: integrantes da X9 Paulistana que reconheceram neste espaço um território legítimo de memória, cultura e pertencimento.

Entre os elementos da obra está o cavaco, porque todo sambista sabe que existe um momento mágico em qualquer roda, aquele instante em que alguém grita:

“Chora cavaco!” E a emoção toma conta.

Nossa viagem continua… porque onde existe samba, quase sempre existe futebol, e onde existe futebol, quase sempre existe samba.

Nesta parada celebramos o Bloco Carnavalesco e time de futebol A Bruxa Tá Solta. O seu presidente, Edu, parceiro do projeto e integrante da X9 Paulistana, representa essa ligação histórica entre esporte, carnaval e comunidade.

Logo adiante encontramos uma homenagem especial a Denner, craque da Portuguesa, sambista, filho do senhor Nelson, histórico integrante da velha guarda da X9, uma figura que representa perfeitamente o espírito deste espaço.

Futebol, samba, família, comunidade.

Já estamos chegando ao fim da caminhada, mas antes de encerrar, deixamos uma pergunta.

Você tem fome de quê? Nós temos fome de espaços públicos ocupados.

Fome de cultura, de encontros, de crianças brincando na rua, de arte acessível, fome de vida… por isso agradecemos aos artistas, moradores, parceiros e especialmente ao Beco do Robin, cuja parceria foi essencial para transformar este sonho em realidade.

Também prestamos homenagem a duas pessoas que seguem presentes na memória deste projeto: Rose Moraes e José Vicente Moraes.

Nenhum espaço nasce sozinho, essa transformação está sendo construída por muitas mãos, e é justamente por isso que o Beco do Samba existe.

Somos o Instituto Tribunow.

Nossas bandeiras são proteger, preservar e conservar.

Nosso compromisso é fortalecer a cultura, a cidadania e a ocupação positiva dos espaços públicos.

E nosso lema continua o mesmo: Onde a Justiça é Feita.